O pior acidente aéreo em Portugal foi a 8 de fevereiro de 1989

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acidente aéreo
Fotografia: www.pixabay.com

O dia de 8 de fevereiro de 1989 continua a ser um dia sombrio na história de Portugal, um dia marcado pela morte, pela dor e pelo sofrimento: foi nesse dia que aconteceu o mais mortal acidente aéreo em solo português.

Naquele dia, o Independent Air Flight 1851, um Boeing 707 americano com italianos a bordo, descolou de Bérgamo, Itália, para um destino de sonho que prometia férias inesquecíveis, ou seja, Punta Cana, República Dominicana. No entanto, uma inocente escala ia pôr fim a todas as 144 vidas a bordo: o avião atingiu o Pico Alto ao aproximar-se do aeroporto de Santa Maria, nos Açores, sendo completamente destruído numa fração de segundos.

As autoridades presentes no sítio do acidente aéreo não puderam fazer mais nada. Infelizmente, para as pessoas a bordo, as férias terminaram abruptamente, de forma trágica, sem nem mesmo ter a chance de começar. Além dos passageiros italianos, os tripulantes eram americanos. A série de acontecimentos e todos os equívocos que levaram à tragédia é extremamente longa, confusa, cheia de mal-entendidos entre a tripulação e o controlador de tráfego aéreo.

Todos estes erros seguidos por outros, conduziram ao pior acidente aéreo da história de Portugal, também denominado O desastre dos Açores. É também o 4º pior acidente envolvendo o Boeing 707 e o único acidente fatal na história da Independent Air.

Sobre a companhia aérea Independent Air

Independent Air foi uma charter companhia aérea que operou nos Estados Unidos entre 1966 e 1990. Obteve a licença para organizar charter voos em 1984, comprando assim duas aeronaves Boeing 707. Até o ano do acidente, as rotas das aeronaves eram exclusivamente para férias:

  • Boston – Ponta Delgada
  • Fort Lauderdale – Montego Bay
  • Denver – Montego Bay
  • Milan/Bérgamo – Punta Cana/Santo Domingo

Além dessas viagens de férias, a Independent Air também organizava charter voos para os militares dos EUA.

Os voos mais frequentes listados acima partiram da Itália, com o objetivo de levar os turistas para as férias dos seus sonhos no Caraíbas. Embora os Boeing 707s não tenham sido projetados para voar sobre o transatlântico sem parar, a maioria das pessoas escolheu esses voos por causa dos preços baixos, sem se preocuparem com as paradas frequentes para reabastecimento.

A escala mais utilizada era a pequena ilha de Santa Maria

A escala mais frequente dos voos transatlânticos da Independent Air era Santa Maria, uma pequena ilha com apenas 6.000 habitantes situada na parte oriental do arquipélago dos Açores, localizada também 1.400 km a oeste de Lisboa. Embora na década de 1950 esta ilha fosse extremamente frequentada para reabastecimento de aviões pertencentes a várias companhias aéreas, após a invenção do jato de longo alcance o número dos que aqui pararam diminuiu consideravelmente. Assim, em 1989 chegaram ao aeroporto de Santa Maria apenas 3 voos, sendo dois comerciais de Portugal e o Independent Air Boeing 707.

Foto: captura de ecrã do vídeo “airplane crash in santa maria pico alto azores , um dos maiores desastres de portugal” do canal Paulo Fontes no Youtube

A cronologia do pior acidente aéreo

No dia de 8 de fevereiro de 1989, um dos aviões Boeing 707 da Independent Air chegou a Bérgamo, de onde embarcaram 137 turistas italianos com a esperança de ter as férias mais lindas de suas vidas, umas férias passadas na própria República Dominicana. Uma vez que o avião não foi concebido para suportar essa distância sem ser reabastecido pelo menos uma vez, foi agendada uma escala na ilha de Santa Maria, nos Açores, como habitualmente.

A tripulação incluía o Capitão Leon Daugherty, o Primeiro Oficial Sammy Adcock e o Engenheiro de Voo Jorge Gonzalez. Além disso, uma das comissária de bordo era a noiva do capitão, tendo o casamento planejado para maio do mesmo ano.

No entanto, o primeiro sinal infeliz foi até um atraso na descolagem devido ao forte nevoeiro: o voo número 1851 decolou às 10h04, horário local, com um atraso de cerca de duas horas do horário inicial do voo.

Poucas horas após a descolagem, o avião chegou à área de voo controlada pelo Centro de Controle de Tráfego Aéreo de Santa Maria, momentos em que surgiram graves problemas de comunicação. Em apenas 25 minutos, um dos tripulantes pediu esclarecimentos ao controlo de tráfego aéreo de Santa Maria para 6 coordenadas diferentes devido ao facto de não conseguia compreender o que é qur lhe diziam. Mais tarde, os investigadores descobriram que alguns erros flagrantes foram cometidos na comunicação, que certas palavras e unidades de medida foram usadas de forma completamente errada, enganando os membros da tripulação.

Além disso, passaram-se alguns minutos em que os dois controladores de serviço – um supervisor e um estagiário que começara trabalhar apenas 5 meses antes – fizeram uma pausa não autorizada e imprevista no programa. Um outro erro cometido, que causou o acidente aéreo, por um dos membros do controle de tráfego aéreo foi a transmissão incorreta da pressão indicada pelo altímetro barométrico e, quando quis corrigir o erro, foi distraído por uma chamada. Portanto, sendo definido incorretamente, ele mostraria uma altitude completamente errada em comparação com a real.

O pior acidente aéreo da história portuguesa: “one octa at one two zero zero” VS “one octa two two zero zero”

O erro imperdoável que está na raiz dessa tragédia veio também do controle de tráfego aéreo. Houve um aparente erro de expressão trivial, imperceptível a quem não conhece a técnica de voo, mas fatal para a tripulação do Boeing 707 em 8 de fevereiro de 1989.

A frase “one octa at one two zero zero” pronunciada em vez de “one octa two two zero zero” levou os pilotos a acreditar que a uma altitude de 2.200 pés não há nuvens em torno do Pico Alto, quando, na verdade, as nuvens cercavam-nos a uma altitude de 1200 pés. Mas o que deveria ser transmitido e não foi, era a altitude de voo seguro que era de 3000 pés de altura

A catástrofe agora era inevitável: devido a erros de comunicação, os membros da tripulação voaram com o avião a uma altitude de apenas 1795 pés (547 m), no mesmo nível da montanha. Devido às configurações incorretas do altímetro, no entanto, eles acreditaram que estavam acima da montanha e que logo emergiriam das nuvens densas. Tragicamente, alguns segundos depois, o sistema de alarme detectou solo sob a aeronave e começou a soar alto.

Este alarme soou por 7 segundos, 7 segundos em que absolutamente ninguém disse nada. Às 14:08:12, seguiu-se o barulho alto e retumbante do impacto do avião com a montanha: um impacto produzido a 420 quilómetros por hora. O avião foi na verdade despedaçado, espalhado por todos os lados, junto com partes de corpos humanos. O impacto foi tão forte que ninguém a bordo sobreviveu. Além disso, as 144 almas nem tiveram tempo de perceber o que estava acontecendo com elas.

Depois o acidente aéreo, as caixas negras demoraram quase um mês a revelar a história da grande catástrofe ocorrida no dia de 8 de fevereiro de 1989 em solo português. Os erros de comunicação foram fatais, mas o que é ainda mais triste é que o avião quase atingiu o topo da montanha: voava a uma altitude de 10,5 metros até o topo.

Dezenas de familiares enlutados, pais, parentes e filhos foram deixados para trás, que ficariam apenas com a memória de seus entes queridos. Assim, o dia de 8 de fevereiro de 1989 marca o acidente aéreo mais mortal da história de Portugal.

Fontes:

Durante a Segunda Guerra Mundial, os Nazis mataram quase seis milhões de judeus. O genocídio em massa será mais tarde conhecido para todos como “Holocausto”. Aqui poder ler mais.

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